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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Quadro de Schiele roubado por nazistas volta a museu de Viena

DA FRANCE PRESSE, EM VIENA

O "Retrato de Wally", quadro de Egon Schiele roubado pelo regime nazista de uma galerista judia, está de volta ao museu Leopold de Viena, após 12 anos de ausência.
A tela de 32,7 cm por 39,8 cm foi apresentada ao lado de um autorretrato de Schiele pela viúva do fundador do museu, Rudolf Leopold, morto em junho.
"O retorno de Wally ao museu Leopold marca um momento crucial do ponto de vista político", declarou Elisabeth Leopold.



Para recuperá-lo, o museu aceitou em julho pagar 19 milhões de dólares aos herdeiros de Lea Bondi, galerista judia de Viena que vendeu a obra obrigada a um colecionador nazista em 1938.
Foi o primeiro caso deste tipo revelado na Áustria, ao qual se deve a aprovação de uma lei, em 1998, de "restituição" de obras de arte roubadas pelos nazistas.
Após uma longa jornada com o passar dos anos, o quadro foi parar em 1954 no museu de Viena, que em 1997 o emprestou para uma retrospectiva de Schiele no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa).
Após receber uma denúncia dos herdeiros de Bondi, os Estados Unidos confiscaram a tela, que permaneceu sob custódia por mais de uma década à espera do desenlace judicial da controvérsia.
Egon Schiele (1890-1918) foi, junto com Gustav Klimt e Oscar Kokoschka, um dos maiores expoentes da escola expressionista austríaca.

sábado, 4 de setembro de 2010

Bob Dylan vai expor quadros inspirados no Brasil em Copenhague

Coleção de 40 telas será apresentada no maior museu da Dinamarca.
Quadros mostram paisagens de cidades, favelas e do campo no Brasil.
Da France Presse


O lendário músico norte-americano Bob Dylan, um aficcionado pela pintura, apresentará sua nova coleção "Brazil series" pela primeira vez em Copenhague, em setembro, anunciou nesta segunda-feira (16) o museu dinamarquês Statens Museum for Kunst.
A coleção, que compreende cerca de 40 telas pintadas em acrílico e oito desenhos, será apresentada de 4 de setembro a 30 de janeiro de 2011 no maior museu da Dinamarca.
"É uma coleção que jamais foi exposta, que foi feita para o Statens Museum for Kunst entre 2009 e o primeiro trimestre de 2010", indicou à AFP o curador-chefe do museu, Kaspar Monrad.
"Estes quadros mostram paisagens da vida cotidiana na cidades, as favelas e o campo do Brasil, para onde Bob Dylan viajou em várias oportunidades", acrescentou.
"Também há quadros dramáticos sobre amores infelizes, ajustes de conta mafiosos e outras cenas que mostram o fascínio do artista pela diversidade desse país", enfatizou. "O estilo Dylan é inspirado no realismo americano do início do século XX e nas afinidades profundas com pintores do século passado como o Matisse dos anos 1920", segundo Monrad.
O museu dinamarquês entrou em contato com o agente de Bob Dylan no final de 2008 para pedir ao artista uma nova coleção de pinturas, afirmou.
"Visitei o Statens Museum for Kunst, que é impressionante, e foi uma surpresa para mim quando me pediram para criar obras especificamente para este museu", enfatizou Bob Dylan em um comunicado publicado pela galeria.
"Foi uma grande honra e um desafio muito apaixonante", acrescentou, explicando que escolheu o Brasil como tema da exposição porque esteve no país várias vezes e porque gosta muito de seu ambiente.
O astro americano da música folk, de 68 anos, expôs sua coleção anterior, "Drawn Blank Series", na Alemanha, em 2007, e no Reino Unido, em 2008.

Fonte: G1

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

"Contradição corrói as bienais de arte", diz artista Waltercio Caldas

MARCOS FLAMÍNIO PERES
ENVIADO ESPECIAL AO RIO


Admirador confesso de Auguste Rodin (1840-1917), Constantin Brancusi (1876-1957) e Pablo Picasso (1881-1973), Waltercio Caldas lamenta que as novas gerações de artistas brasileiros ignorem a história da disciplina --"perde-se muito com isso".

O artista plástico também afirma que não consegue imaginar um mundo sem livros, mesmo vivendo na era digital.

Assista à entrevista com o artista plástico Waltercio Caldas


O artista plástico Waltercio Caldas no MAM do Rio de Janeiro

Folha - Às vésperas de mais uma Bienal de Arte de São Paulo, como vê o conceito de grandes exposições?
Waltercio Caldas - São anacrônicas, porque, embora pretendam absorver o que está acontecendo no mundo, ele está muito mais complexo do que elas são capazes de suportar. Por não conseguirem dar conta da globalização das ideias e da vertiginosidade do tempo, tornam-se específicas. Embora o discurso seja totalizador, acabam defendendo um ponto de vista muito particular. E essa contradição corrói esse tipo de evento.
Como vê a apropriação de seu trabalho pelos artistas contemporâneos?

Hoje em dia, alguns artistas consideram que se pode fazer arte sem ter noção da história da arte, sem ter noção de todas as conquistas anteriores. E tenho a impressão de perdemos muito com essa deliberada ignorância.

Livros e palimpsestos sempre foram recorrentes em sua obra. Como vê o futuro da palavra impressa com o advento das novas tecnologias?

Não consigo imaginar o futuro da humanidade sem palavra impressa e sem papel. Os livros têm características tão especiais que nunca serão substituídas. A mídia eletrônica oferece ao espectador uma participação na velocidade do mundo, em sua vertiginosidade, enquanto o livro atende mais à ideia de contemplação.
Usa Facebook ou Twitter?
Procuro evitar... Tenho uma relação muita íntima com o tempo. Acho extremamente desagradável me relacionar com uma imagem que é filtrada por uma luz artificial que nos chega por meio de um sinal eletrônico.

Como avalia os museus brasileiros e sua formação de acervo?

É um problema que temos por puro descaso nosso. São poucos os museus que têm política de aquisição, e, quando as têm, são muitas vezes esporádicas e temporárias. Isso faz com que as instituições às vezes não tenham um acervo que possam representar sua própria história.

E como mudar isso?

Bem, para usar os perfumes como metáfora, acho que o Brasil, em arte, está começando a produzir fragrâncias muito boas, mas conhece muito pouco do processo fixador. E, no entanto, ele é fundamental.

A falta de apelo exótico de sua obra foi um problema para sua aceitação no exterior?

Não, pois acho que o mundo é suficientemente complexo para incorporar trabalhos de toda natureza.

Não acha que existe hoje uma culturalização da arte, entendida a partir de conceitos como cor, etnia etc.?

Acho, e isso de certo modo substitui os "ismos" [as vanguardas]. Por terem se tornado densos demais, cederam lugar a ordens sociológicas, psicológicas, etnológicas... Sob esse ponto de vista, meu trabalho tem um viés bastante crítico. Uma obra é exatamente aquilo que ela é, ele não quer ser a representação de nenhuma outra coisa.

Qual o artista que mais chama sua atenção na cena atual?

Gosto muito do [americano] Matthew Barney. Acho que ele tem uma pegada na questão dos materiais que é bastante
inovadora.

Um crítico já definiu seu humor como machadiano. Você se reconhece nele?
Isso me lisonjeia, porque o humor de Machado --quase uma ironia-- é uma necessidade para o Brasil.

Fonte: Folha Ilustrada